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Torcida Anime #2 – The Prince of Tennis

Existem dois tipos de mangás de esporte: os normais e os exagerados. E The Prince of Tennis entra justamente nesta última categoria. E agora nós vamos saber um pouco mais […]

Existem dois tipos de mangás de esporte: os normais e os exagerados. E The Prince of Tennis entra justamente nesta última categoria. E agora nós vamos saber um pouco mais sobre essa grande obra da Shonen Jump e motivo de se encaixar como algo “Exagerado”.

O Príncipe do Tênis

Antes de falarmos do mangá/anime propriamente dito acho que seria legal falar um pouco sobre o esporte no nosso país.

Eu sou um entusiasta do esporte. Pratico sempre que tenho a oportunidade e é um esporte viciante, apaixonante. Recomendo a todos. Apesar de não ter a mesma popularidade de outros esportes como futebol e vôlei, por exemplo, o tênis tem alguns fãs fervorosos no país. Alguns deles motivados pelas glórias de Gustavo Kuerten, o Guga, que conseguiu ser o primeiro tenista (homem) a ser o número 1 do ranking da ATP (Associação de Tenistas Profissionais).

Mada Mada Dane

The Prince of Tennis (Em japonês Tenisu no Ojisama) é um mangá escrito por Takeshi Konomi e constituído em 42 volumes divididos em 379 capítulos publicados entre Julho de 1999 e Março de 2008. Muitas vezes encontra-se o termo TeniPuri, um termo abreviado. Depois de bastante sucesso do mangá o anime seria questão de tempo e em Outubro de 2001 ele foi ao ar na televisão japonesa com 178 capítulos e tendo seu fim em Março de 2005.

Após o término da série Konomi lançou a continuação chamada New Prince of Tennis, que foca nas desventuras de Ryoma na seleção Japonesa sub-17. Mas vamos ignorá-la por enquanto, uma vez que o foco é a primeira série e eu também não li essa.

"Você tem muito o que aprender"

“Você tem muito o que aprender”

Primeiro Set

Prince of Tennis relata as aventuras de Echizen Ryoma, um garoto prodígio que retorna ao Japão depois de passar algum tempo nos Estados Unidos. Ryoma é o típico personagem gênio que comentei no primeiro artigo, lembra? Então, no começo da história é dito que ele participava de torneios acima de sua idade, de tão habilidoso que é. Além disso, Echizen Ryoma é filho do grande Echizen Nanjiro, o melhor jogador que o Japão tinha visto, também conhecido como “Samurai Nanjiro” e que aposentou quando estava para se tornar o número 1 do ranking mundial.

Ao chegar ao Japão, Ryoma se transfere para a Seishun Gakuen, também conhecida como Seigaku. A Seigaku é uma das mais fortes escolas da região (Tóquio), com muitos jogadores habilidosos. Um deles é o Capitão Kunimitsu Tezuka, um dos poucos jogadores do ensino médio a ter nível de jogo de um profissional.

Rapidamente Ryoma vai se firmando no time e mesmo sendo um aluno do primeiro ano consegue uma vaga na equipe titular, disputando os principais jogos. Para chegar a esse ponto Ryoma ganhou de vários veteranos do time.

TORNEIO DA MORTE

A base da história de Prince of Tennis é essa, com Echizen se firmando na equipe e disputando os torneios até alcançar o sonho da Seigaku de ser campeã nacional de tênis. No processo ele faz amigos, rivais e melhora suas técnicas. Esta parte é interessante frisarmos pois por Ryoma ser filho do lendário Samurai, seu estilo de jogo nada mais é do que uma cópia do jogo de seu pai. Sendo assim Ryoma procura evoluir com a ajuda do capitão Tezuka, que quer lhe mostrar que para subir é necessário ter seu próprio estilo e não ser apenas uma sombra de seu pai.

Galera da Seigaku

Galera da Seigaku

Os outros personagens da Seigaku são:

Kunimitsu Tezuka – Como já dito, o capitão do time. Participa de poucas partidas durante o mangá em decorrência de uma lesão séria no cotovelo. É o pilar da Seigaku e um de seus objetivos é fazer Ryoma ter seu próprio estilo de jogo e não ser apenas uma mera cópia de seu pai.

Shusuke Fuji – Estudante do terceiro ano e considerado um gênio por todos. Tem um jeito tranquilo e está sempre sorrindo. Suas técnicas são baseadas em contra-ataques.

Shuichiro Oishi – Vice-capitão do time. Especialista em duplas e faz a temida “Dupla de Ouro” com Kikumaru Eiji.

Kikumaru Eiji – Especialista em técnicas acrobáticas. Está sempre de bom humor.

Takashi Kawamura – Um rapaz tímido fora de quadra, mas quando pega em uma raquete vira outra pessoa. Especialista em jogo de força.

Sadaharu Inui – Conhecido como o “Data Tênis”. Responsável por coletar dados dos outros times para uso de estratégias variadas da Seigaku. Sendo assim aproveita deste fato para coletar dados de todos os seus oponentes para usá-los a seu favor, inclusive contra seus companheiros da Seigaku. Uma de suas especialidades são seus saques potentes e velozes.

Takeshi Momoshiro – O “amigo” de todos. É o melhor amigo de Ryoma na série. Sua especialidade são as respostas à bolas altas, chamado de Lob. Sendo assim se o adversário bobear e mandar uma bola alta, ele contra ataca com uma poderosa “cortada” (Smash).

Kaoru Kaido – O esquentadinho do time. Fica nervoso com facilidade e sua especialidade são as “bolas curvas”. É chamado de “Víbora” por sempre estar emitindo um som parecido com o de uma cobra e por sua postura lembrar a de uma.

Sumire Ryukazi – Técnica do time. Também treinou o pai de Ryoma.

RAQUETADAS DE FOGO?

O traço de Prince of Tennis é bom no começo e assim como 99% de qualquer mangá, ele é aperfeiçoado. Não tenho muito a reclamar neste aspecto. Gosto dos traços e acho que transmite bem a sensação de uma partida emocionante de tênis.

Como eu havia dito lá em cima, Prince of Tennis encaixa na categoria de mangá esportivo exagerado, uma vez que os personagens fazem movimentos que não condizem com a realidade de uma partida, tais como passar uma bola com curva pelo lado de fora da quadra. Imaginem a rede de tênis. Imaginou? Um dos integrantes da Seigaku, Kaoru Kaido, consegue fazer com que a bola passe ao lado daqueles postes que seguram a rede, dando curva pra bola e fazendo-a cair do outro lado da rede. Em um determinado ponto do mangá, para executar um movimento, Ryoma SOBE na cadeira do juiz para tomar impulso e lançar uma de suas poderosas técnicas. Personagens que são lançados para fora da quadra…

Cool Drive, uma das técnicas de Ryoma. Percebam no outro quadro ele tomando impulso na cadeira do juiz.

Cool Drive, uma das técnicas de Ryoma. Percebam no outro quadro ele tomando impulso na cadeira do juiz.

É exatamente aqui que eu quero falar mais sobre o que disse lá em cima no começo do artigo: a diferença entre um mangá esportivo comum e um exagerado. O mangá comum é aquele onde o jogo é retratado da forma mais fiel possível à realidade. Quer exemplos? O excelente Baby Steps, que é outro mangá de tênis, é assim. O próprio Slam Dunk, que foi tema do Torcida Anime 1 também encaixa nessa categoria. Partidas normais que podemos ver na televisão, por exemplo. Prince of Tennis está em uma mesma escala de Captain Tsubasa e Inazuma Eleven, por exemplo (falarei sobre os dois logo). Isso para mim nem de longe é um problema para a série e para quem vier a assisti-la ou ler. É mais como um aviso para quem tenha alguma restrição quanto a isso.

Outro ponto legal que particularmente me conquista é o fato de que os campeonatos disputados são considerados “Torneios da Morte”. É o nome que um amigo meu (Abraço, João!) dá para esse tipo de anime, onde parece que os personagens estão em uma Guerra Galáctica. A maioria dos mangás esportivos exagerados são assim. E isso é ótimo!

Alguns personagens são extremamente carismáticos enquanto outros nem tanto. Echizen Ryoma tem aquela aura de protagonista badass, que se garante por suas habilidades e por isso se impõe diante do inimigo. Ele é como o Yami Yugi, de Yu-Gi-Oh. Firme em suas decisões e imponente. E é exatamente esse tipo de confiança/arrogância que ele passa em quadra ao jogar inicialmente com a mão direita e somente se o adversário for realmente forte ele passa a jogar com sua mão dominante, a esquerda. Sua frase marcante/provocativa é Mada Mada Dane, que em uma tradução fica algo como “Você ainda tem muito que aprender”.

Um dos pontos negativos de Prince of Tennis é o fato de o mangá ser muito longo. 42 volumes são muita coisa. Eu não assisti ao anime, mas acredito que por ter poucos episódios deva ser algo mais condensado. Este é um dos pontos fracos do mangá. Eu particularmente achei muito arrastado de um ponto do Campeonato Nacional em diante. O fato de cada duelo contra outra escola ser disputada em uma melhor de 5 cansou um pouco a leitura. Foram jogos desnecessários demais, em minha opinião. Era melhor ter cortado esses jogos e focado apenas nos realmente importantes. E a variedade de “escolas rivais” deixou a desejar. Não irei revelar o motivo pelo qual faço essa pequena ressalva, mas quem ler a série irá entender. Estes dois fatos citados aqui fizeram a leitura se tornar cansativa.

Torneio da Morte. Echizen Ryoma em sua versão Super Saiyajin

Torneio da Morte. Echizen Ryoma em sua versão Super Saiyajin

Mas isso não quer dizer que a série seja ruim. Ela é boa, divertida. As batalhas mortais que seguem são boas em alguns pontos. É legal ver essa variedade de técnicas exageradas e algumas regras sendo burladas. Prince of Tennis é uma série muito divertida no fim das contas.

Uma coisa que senti falta foi uma espécie de “duelo final” entre pai e filho. Acho que seria uma forma muito digna de encerrar a série, uma vez que a evolução constante do filho o colocaria em um patamar próximo ao do pai e talvez (eu disse talvez) ele pudesse fazer frente ao grande Samurai Nanjiro.

Infelizmente a probabilidade deste mangá chegar ao país é pequena, devido à pouca popularidade desse tipo de título no país. É um milagre termos dois dessa categoria por aqui. Você consegue lê-lo por outros meios (Você sabe qual). O anime chegou a passar na tevê fechada, na Animax.

Nota: 9

Fiquem com uma abertura e um encerramento do anime.

Primeira abertura

Primeiro encerramento

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